01/11/12

Fragmentos de 2011/03/16


Conduct Report on Professor Ishinaka (1950) de Mikio Naruse: ****
Este filme dividido em três segmentos (tendo todos que ver, indirectamente com o escritor romântico Ishinaka) foi o meu 66º filme do Naruse. E o que dizer? Excelente, divertido e inocentemente amoroso. Adorei o Mifune no terceiro segmento!



Desperate Outpost (1959) de Kihachi Okamoto: **
Um entretido filme de acção e comédia militar, mas que não vai muito mais longe (imagética e narrativamente) do que o razoável.



Stray Cat Rock - Wild Jumbo (1970) de Toshiya Fujita: ***
Muito melhor do que o estereotipado primeiro capítulo desta memorável saga, Toshiya Fujita pegou nas suas tendências rebeldes e fez desta segunda instalação uma verdadeira ode à vadiagem, sem tocar praticamente na exposição sensual Meiko Kaji e numa vertente mais pink. Fujita é conhecido por renovar os temas dos filmes Sun Tribe, e este é um exemplo bastante satisfatório dessa categorização.



Stray Cat Rock - Machine Animal (1970) de Yasuharu Hasebe: ***
O quarto capítulo (de cinco) da série Stray Cat Rock e o último realizado por Yasuharu Hasebe apresenta, com primor e excelência, os temas básicos deste género de filme rebelde, mas com honra.



Evil Spirits of Japan (1970) de Kazuo Kuroki: **
Este desorganizado e problemático filme de Kuroki (apesar dos bélicos visuais) acabou por apostar demasiado na ambiência e muito menos na narrativa. A premissa que poderia ser tão bem explorada dá aso a uma quantidade de confusões propositadas, tornando o filme bastante difícil de acompanhar, mesmo nos momentos puramente imagéticos...



Sweet Scent of Eros (1973) de Toshiya Fujita: *****
Toshiya Fujita pode ser mais conhecido e aclamado pelos seus dois Lady Snowblood (principalmente depois da homenagem Tarantinesca com Kill Bill) mas quase ninguém sabe que ele era, ao mesmo tempo, um dos mais inovadores realizadores da Nikkatsu, uma voz verdadeiramente criativa no seio do estúdio. Sweet Scent of Eros é um grande exemplo do género transformando-se em outra coisa de mais complexa, uma crítica doce e amarga à juventude desorientada. Obra-prima!



Battle Cry (1975) de Kihachi Okamoto: **
Outra tentativa, para além de Nikudan, de Kihachi Okamoto se afirmar como um realizador que, saído dos esquemas básicos dos estúdios, poderia almejar  uma certa liberdade e libertinagem artística fora dessa esfera de influência. Infelizmente, Battle Cry é em tudo igual aos seus filmes menos bons de estúdio só que a essa componente ainda se subtrai a qualidade técnica que esses seus filmes possuiam e que este - principalmente por causa do budget de produção independente - não possui.



World Apartment Horror (1991) de Katsuhiro Otomo: **
Nem sei como, mas não sabia da existência deste filme apesar de gostar da obra do Otomo e de Satoshi Kon (argumentista) e ter uma confiança quase cega nas instalações live-action feitas por realizadores de anime (a tendência é adoptar um estilo experimental, ex: Mamoru Oshii, Hideaki Anno, etc.). No entanto, este World Apartment Horror a despeito da temática, defesa de minorias raciais através do misterioso e do fantástico, é demasiado literal e demasiado caricato para ser levado a sério. Temos direito a alguns sorrisos, mas pouco mais.



Angel Guts: Red Flash (1994) de Takashi Ishii: ****
Ishii não dá a mínima hipótese com este thriler demoníaco com uma narrativa bem engenhosa, cheia de puxões psicológicos e revelações chocantes, grandes interpretações (Maiko Kawakami, Jinpachi Nezu!) e, ainda de realçar, um tratamento imagético realmente surpreendente (pena a qualidade do rip ser VHS). Diria que dos 6 filmes que vi da série Angel Guts, este situa-se em 3º lugar em preferência (o segundo seria o capítulo de Noboru Tanaka e o primeiro o do maligno Chusei Sone).



Without Memory (1996) de Hirokazu Koreeda: ****
Chocante documentário, sem jamais cair no sensacionalismo, sobre uma negligência médica que fez que um homem tivesse graves problemas de memória. A câmara acompanha este estranho caso, conservando uma intimidade que nunca retira dignidade aos agentes filmados. Koreeda mais uma vez, prova que o tema fulcral da sua obra é a ausência de algo ou alguém, de forma a que essa mesma ausência nos revela a nossa humanidade.



Shisei (2006) de Hisayasu Sato: *
Com a esperança de que Love & Loathing & Lulu & Ayano seja bastante melhor do que esta bocejante experiência, apesar de ela tentar captar a todo o custo a magia, o temor e o tremor dos seus filmes à las anos 80/princípio de 90.



Wakaranai: Where are you? (2009): de Masahiro Kobayashi: ***
Mais um exemplo da crueza dramática do cinema de Masahiro Kobayashi! Menos forte e complexo do que Rebirth , porque há um retomar parcial da repetição excessiva da dureza do quotidiano, não deixa de ter momentos bem intensos, resultado de sucessivos mergulhos silenciosos por parte do protagonista numa realidade adversa a qualquer estabilidade.



Confessions (2010) de Tetsuya Nakashima: **
O filme que abria uma esperança de Nakashima também poder realizar dramas violentos com um tema da vingança a ressoar (já que ele é um exímio artista visual), revelou-se uma desilusão. Não vou esconder que os primeiros minutos prometiam muito, mas à medida que o filme foi avançando, achei os personagens cada vez mais caricaturáveis, cada vez mais insuportáveis (quem não quer dar um estalo aquele "casalinho" pseudo-deprimido?) parecendo-me, que em Confessions moveu-se mundos e fundos para se chegar a uma radicalidade narrativa que, de todo em todo, se incompatibiliza com a primeira premissa do filme. Nota final: não é um Iwai quem quer...

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